A perenidade das Cavalhadas de Vildemoinhos
A denominação social desta agremiação está, imediatamente, ligada à realização anual das famosas CAVALHADAS DE VILDEMOINHOS, evento notável na região de Viseu e inédito no contexto nacional.
Mas, a Associação é também espaço físico acolhedor para sócios e não sócios desta briosa população trambela. Em sede física, que tive o gosto de inaugurar, passam crianças em espaço lúdico-educativo, há um breve museu evocativo de algumas das mais marcantes caraterísticas desta genuína expressão cultural.
As CAVALHADAS representam, contudo, a componente com mais visibilidade, pelo fato de se realizarem há séculos e de, pontual e anualmente, se mostrarem ao POVO em cada 24 de junho.
Em Viseu, não há S. João que não tenha direito ao desfile dos carros alegóricos, com mensagens diversas, exaltando, para o bem e para o mal, a atualidade social e política, tanto local como nacional. É, também, permeável ao contexto internacional, com destaque, no momento, para o sério problema das “alterações climáticas”, sendo o seu cortejo portador de alertas para esta problemática, fazendo jus, ao slogan: “agir localmente para influenciar globalmente”. E este contributo revela-se genuíno e corolário de muita atenção e de acompanhamento dos problemas nacionais e mundiais.
É de salientar um aspeto menos visível, que se prende com o imenso trabalho que, depois, é traduzido naquilo que se vê e metaboliza, aquando da mostra nas ruas da cidade de Viseu.
Assim que termina uma edição das CAVALHADAS, ainda, à volta da mesa onde é servido o manjar, sardinha na brasa, broa e caldo verde, já se começa a falar da próxima edição.
Um trabalho de reflexão, de escrutínio dos acontecimentos locais e nacionais marcantes, conduzem à conceção dos “carros”, seguindo-se o juntar, em horas roubadas ao divertimento e à família, de um vasto número de trambelos, que vão construindo o cortejo.
Mas a azáfama atinge o seu ponto alto algumas semanas do 24-J, em que o tempo parece faltar, em que tudo parece estar atrasado. Mas a fibra e o querer destas boas gentes tudo ultrapassa, para que no dia aprazado o cortejo seja realidade.
O Governo da cidade apoia, mas também o fazem as empresas e os cidadãos que; no dia especial em que o comércio encerra, por momentos, as suas portas, para que todos não faltem; se mostram generosos, mesmo que a sua bolsa seja curta.
Aos trambelos de nascimento e a todos quantos vestem a camisola trambela só podemos estar agradecidos e incentivar o seu querer e vontade em persistir, mesmo que os ventos sejam contrários.